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Retrospectiva 2009
Confira algumas obras musicais que marcaram, na opinião de Duanne Ribeiro, este ano que se vai.
Escrito por Duanne Ribeiro em 22/12/2009
Diablo Swing Orchestra (Foto:Divulgação)
Lançamentos de 2009 que me chamaram a atenção, alguns eu escuto repetidamente, outros me marcaram bastante, outros tem alguma qualidade que eu acho interessante, enfim: 

Morrissey,"Years of Refusal"
A carreira solo do ex-vocalista dos Smiths nunca traz nada tão bom quanto o material da sua banda original. De uma forma geral, nas bases, falta algo mais criativo: o instrumental sempre me parece muito usual. Mas Morrissey continua com boas melodias e boas letras. Este último CD é particularmente competente. "You Were Good in Your Time" é a canção mais intensa, de letra forte e um fim abstrato, cheio de ruído e sons de conversa sobrepostos. "It’s Not Your Birthday Anymore" traz versos algo sarcásticos, com a tristeza, o senso de solidão que já havia no Smiths. "I’m throwing my arms around Paris" e "The Last Time I Spoke to Carol" são boas músicas, mas não memoráveis. 

Diablo Swing Orchestra, "Sing Along Songs for the Damned and Delirious"
Os dois CD's desta banda eu conheci este ano. O que me atrai nela é diversidade de referências que eles conseguem trabalhar juntamente com riffs e distorção típicos do metal. Passamos pelo jazz, pelo flamenco, pelo cabaré, pelo burlesco, pelo ‘western’; isso com uma variação criativa de timbres, entre instrumentos de sopro ou corda, efeitos de guitarra e também voz: temos o tom bem grave e uma cantora soprano. Os músicos definem seu estilo como riot opera. Do primeiro CD, "The Butcher’s Ballroom", indico"Ballrog Boogie". Deste, uma música que disponível na SCYRADIO deste mês - "A Tap Dancer’s Dilemma" — e "Lucy Fears the Morning Star". A última, "Stratosphere Serenade", também merece uma audição. É um CD pra ouvir prestando atenção no trabalho, nas diferentes seções. Talvez não dê pra fazer isso de uma sentada só. 

Garotas Suecas, "Dinossauros" [EP]

Uma atmosfera do rock 60/70, algo da intensidade e da agitação de "Tell Mama" e "Try (Just a Little Bit Harder)" da Janis Joplin; algo do rock brasileiro de Mutantes e a Rita Lee de Cilibrinas do Éden. Algo do soul. Boa percussão, bom teclado, bons solos de guitarra. Desse EP, "Codinome Dinamite", a que ganhou clipe, tem a sua psicodelia, segue dançante do início ao fim. Eu já chamo a atenção pela bateria cheia de viradas e o teclado onipresente, levando a música. Essa entrada da cuíca acompanhada de solo distorcido de guitarra de "Ghostwriter" é bem bacana, para depois a música ir ao silêncio e voltar com sopro e refrão. "Bugalu" e "Senhor sabe Tudo", as duas outras canções restantes, também valem a pena. É um CD que não cansa.  Dá pra ouvir no Trama Virtual


Arctic Monkeys, "Humbug"
O que acontece nesse terceiro CD do Arctic Monkeys é que as músicas ganham em camadas, em arestas, em consistência, em profundidade. Antes, o que tinhamos eram boas músicas - as imediatas, distorcidas, rápidas, de "Whatever People Says That I’m That’s What I’m Not"; ou as algo mais trabalhadas de "Favorite Worst Nightmare", em que outras atmosferas são exploradas - mas todas essas faixas eram músicas de um só lado: ouvindo uma vez, tinhamos quase tudo o que havia para ouvir. Em "Humbug", há muito que se perceber para cada vez que se ouve: a bateria tem sua vida própria, a guitarra base e a guitarra solo se complementam, mas não se igualam; e a voz segue sobre tudo, distinta.

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