Cem anos de Adoniran Barbosa
Conhecido como cronista da Paulicéia, retratou como ninguém a vida comum de São Paulo. Centenário reserva homenagens ao artista.
Escrito por:
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Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira
Território Brasil
Território Brasil
Foto: Divulgação
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Se hoje pensar na grande São Paulo nos remete a caos e modernidade, é
porque ao longo dos anos nos distanciamos de um olhar que privilegiava o
que havia de mais belo e poético no seu cotidiano enervante. Adoniran Barbosa (1910-1982) foi como a cidade que tanto projetou em suas canções: heterogêneo.
Adoniran fez,
através de suas composições, retratos fiéis de uma gente brasileira na
sua mais pura essência, usando a linguagem popular paulistana. Os
engraxates, os despejados das favelas, a mulher submissa que se revolta e
abandona o lar, o homem solitário estão intactos nas criações daquele
que se tornou o inventor do samba paulista, e envoltos no humor com que
descreveu as mazelas do cotidiano.
Nascido em Valinhos, cidade do interior do Estado de São Paulo, João Rubinato foi compositor, ator, cantor e humorista. O nome Adoniran Barbosa
representa o personagem que acabou culminando com sua própria imagem:
uma figura de expressão cômica, usando chapéu, terno e uma
gravata-borboleta. Desde cedo já manifestava sua veia artística. Fugiu
da escola para tentar ser ator de teatro, mas era sempre rejeitado. A
falta de apadrinhamento artístico talvez o tenha afastado dos palcos
cênicos.
A música veio como conseqüência da necessidade de
ousar e expandir seu talento eminente, provado através do rádio, onde
atuou como rádio-ator durante toda a década de 1940 e o fez querer
conquistar espaço como intérprete. Tinha boa voz e coragem suficiente
para se aventurar nos diversos programas de calouros que surgiram na
época dourada das rádios. Ao entoar “Filosofia”, de Noel Rosa, num desses shows, começou a ganhar reconhecimento. Foi como compositor, porém, que Adoniran marcou seu nome na história da música brasileira. Pérolas como: “Tiro ao Álvaro”, “Trem das Onze”, e “Saudosa Maloca”,
elevaram sua carreira de artista a cronista. A vida cotidiana daquela
São Paulo que ainda engatinhava para ser metrópole era sua fonte de
inspiração para retratar o espírito daquele tempo, focando as classes
mais humildes.
O vício do cigarro e da bebida o vitimou através de um enfisema em 23 de novembro de 1982.

Duas belas homenagens chegarão às prateleiras para relembrar o centenário de Adoniran Barbosa: O primeiro é um relançamento: “Adoniran - Uma Biografia”, assinada pelo jornalista Celso de Campos Junior em edição revisada e ampliada. Já o produtor musical Tiago Marques Luiz é o idealizador do disco comemorativo “Adoniran Barbosa, 100 anos” que reúne suas principais composições nas vozes de artistas de diferentes estilos. Entre eles estão: Demônios da Garoa, Cauby Peixoto, Mart’nália, Zélia Duncan, e Leci Brandão.
Foi anunciada também a montagem de um espetáculo chamado “Adoniran - O Musical”, dirigido por Rubens Ewald Filho. A peça, que estréia dia 23 de abril de 2011, contará a história da cidade de São Paulo sob a visão do artista.