'Cê tá pensando que eu sou lóki bicho?!'
Em documentário sobre o eterno 'Mutante', conhecemos a história de Arnaldo Baptista de uma forma coesa, ligando a sua trajetória, fama e tragédias pessoais.
Escrito por:
Escrito por:
Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira
Território Brasil
Território Brasil
Arnaldo Baptista (Foto:Divulgação)
Arnaldo Baptista (Foto:Divulgação)
O documentário “Lóki - Arnaldo Baptista”
poderia ser mais uma história, contada de uma forma muito bem amarrada à
trajetória de um músico brasileiro renomado. Sua vida, suas alegrias e
as tragédias pessoais após a fama com começo, meio e fim.
Não fosse o
seu protagonista uma das mentes mais geniais da MPB, o filme não teria toques tão
pessoais e particulares que o transformam em um documentário único.
Coisa que só o Arnaldo poderia
fazer, assim como junto à Rita Lee
e o irmão Sérgio Dias,
transformaram e particularizaram toda a obra dos Mutantes, outro feito que grupo nenhum
conseguiu exteriorizar musicalmente até hoje.
Através de imagens
raras de arquivos e depoimentos de pessoas íntimas do músico, o diretor Paulo Henrique Fontenelle vai
traçando uma linha muito fina e sensível de tempo entre o Arnaldo de hoje e o Arnaldo "Mutante". Através de
pinturas, ele nos dá pistas desse mundo tão particular e fantástico, que
criou através da dor, do sofrimento, e das angústias existenciais.
No
decorrer do filme, Arnaldo pinta um quadro mostrando todas essas
transições. Da fase pré-Mutante ao sucesso do grupo, passando pela
paixão por Rita Lee, das drogas e
depressão ao ostracismo, e uma linda história de renascimento físico e
espiritual após uma tentativa de suicídio que lhe rendeu inúmeras
seqüelas.

O longa ainda descortina momentos
curiosos e trágicos como a primeira experiência com as drogas, e como
foram gradativamente caminhando para o rock
progressivo após a saída de
Rita Lee. Através de depoimentos emocionantes e da clareza de
detalhes, compreendemos os caminhos dolorosos que levaram Arnaldo a produzir “Lóki”,
um dos discos mais expressivos e gritantes da MPB, e como conseguiu transformar seus conflitos
internos em obra de arte.
Tudo isso, aliado a uma pureza e
honestidade tamanha por parte de músico, fio condutor incrível e
instigante de sua própria história, que consegue levar às lágrimas até
quem não conhece seu legado. Vemos os filhos dos filhos da Tropicália fazendo música boa, de
qualidade. Sim, vemos os Mutantes em
muitos deles, mas falta algo, um Arnaldo,
e uma certa Rita...