A grande era de ouro das rádios no Brasil
O regimento que levou a música popular brasileira a um de seus ápices. Grandes ídolos e marcos de uma época inesquecível da história brasileira.
Escrito por:
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Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira
Território Brasil
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Carmen Miranda (Foto:Divulgação)
Carmen Miranda (Foto:Divulgação)
Houve um tempo em que para cantar uma canção ou gravar um disco era preciso ter talento de verdade. Não dispúnhamos ainda de grandes aparatos tecnológicos, portanto o que se destacava, primeiramente, era cantar com o coração - literalmente "soltar a voz". No início dos anos 50, era grande a euforia em torno dos cantores de rádio, que concentravam as atenções do público. Nomes como Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Nora Ney dominavam as paradas de sucesso.
Os cantores radiofônicos começaram a ser notícia ainda nos anos 30, quando o cantor Orlando Silva estourou na mídia e ficou conhecido como o "cantor das multidões". Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Mario Reis e a pequena notável Carmen Miranda também já eram pioneiros nas rádios brasileiras no fim dos anos 30 e início dos anos 40.
Os interpretes masculinos da MPB colocavam a alma à frente das canções. As vozes encorpadas e de influência lírica chegavam até nós através de tristes baladas que falavam de dor de cotovelo e outras mazelas amorosas. As vozes femininas embalavam romances e corações partidos, com seus agudos sofridos que pareciam vir do fundo do coração. Cantar numa rádio ou em programas de auditório era o sonho de dez entre dez jovens da época. A coqueluche era a Rádio Nacional, que além de exibir os programas de auditório, também narrou em 1941 a primeira rádio-novela do país, intitulada Em Busca da Felicidade.
A Rádio Nacional exibia seus programas ao vivo, e ao longo de seus 80 anos serviu de palco para artistas como Mario Lago, Paulo Gracindo, entre muitos outros. Outro compositor de destaque foi Ari Barroso.
Graças à sua imensa versatilidade, que abrangia todas as vertentes da música brasileira, sua trajetória nas rádios não poderia ser menos avassaladora. Introduzido por Renato Murce, um dos pioneiros em programa de calouros no Brasil e idealizador do programa Papel Carbono - que teve entre suas revelações o rei do baião Luiz Gonzaga. Ari Barroso realizou o primeiro programa carioca de rádio da época: O Programa do Pato, e também um programa de auditório da Rádio Cruzeiro do Sul, chamado Calouros em Desfile, e popularizou-se através das gongadas que aterrorizava os participantes aspirantes à fama.

Entre tantas vozes que ecoaram nas ondas das rádios de todo o país, estão quatro veteranas que se apresentam pelo país desde 2002: Carminha Mascarenhas, Carmélia Alves, Ellen de Lima e Violeta Cavalcante. Com o show Estão voltando as flores, procuram resgatar o passado glamoroso da era de ouro da rádio brasileira, e homenagear grandes divas como Carmen Miranda, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Isaura Garcia, Dolores Duran, Aurora Miranda, entre outras. Os shows viraram um documentário chamado As cantoras do Rádio, que além de relembrar os áureos tempos, mostra o amor pela música e a grandiosa força de trabalho dessas cantoras que lutam para sobreviver da música popular brasileira, e não deixar relíquias tão preciosas caírem no esquecimento.