Para sempre, Elis.
Nesta edição, Alessandra de Oliveira homenageia uma das eternas musas da MPB, que completaria, em Março, 65 anos de idade.
Escrito por:
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Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira
Território Brasil
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Elis Regina (Foto:Divulgação)
Elis Regina (Foto:Divulgação)
“Já não é simples reunir a intenção pura ao ato de cantar.
Já não é tão fácil mostrar novas músicas quando existem dificuldades para encontrá-las.
A voz e o modo mudam tudo
Dificilmente conseguiríamos definir Elis Regina por um só ângulo. Elis foi muitas mulheres em uma só. Tinha a capacidade de se modificar a cada nota da vida, assim como fazia com suas canções. Viveu sua curta e intensa trajetória como em cada interpretação que estrelava.
Não cantava apenas, sentia e nos fazia sentir a cada refrão a sua intensidade. Precoce e autodidata, aprendeu cedo, aos sete anos, a usar sua arma mais poderosa: a voz. Foi assim que arrematou os grandes festivais - o primeiro aos 20 anos de idade. A emoção na voz rouca e postada ganhou o Brasil. O jeito visceral de cantar e interpretar são insubstituíveis.
Foi pimenta nos palcos e fora dele. Contestou, brigou, colocou a cara a tapa contra todo um amargo regime militar. Foi a voz que encorajou a continuar vivendo de música quando esta se calou. Elis não viveu só de música, viveu a música.
Elis era a metralhadora giratória da MPB: onde estava ela, podia se esperar uma frase afiada, mas não sabia ser de outro jeito. Música pra ela era doação, era o dom do compartilhar, e isso era feito a cada gesto, a alma parecia vir antes da voz. Elis era entrega total, nos palcos e na vida.

Minha música sai natural e espontânea. Eu sinto as coisas assim e eu simplesmente recorro a isso tudo porque muitas vezes a palavra não é suficiente para demonstrar as pessoas tudo que se quer dizer, não tem força para isso. Música é a minha única razão de ser, minha vida gira toda em função dela