Soturno, melancólico e acessível! Essas são as melhores palavras para
descrever o primeiro álbum deste artista carioca que, além de lançar um
excelente CD, conseguiu um grande feito: que o álbum "Até Que A Morte Não Separe" (2008) caísse no gosto dos fãs de gothic metal/rock do underground e mainstream, com uma música cheia de requinte, que alia agressividade e melancolia nos momentos certos!
Confiram
entrevista com o músico, que nos fala do lançamento de seu trabalho por
uma grande gravadora, as cenas de São Paulo e Rio de Janeiro, o cenário
underground dos anos 90 e a participação de um grande nome da cena Doom em seu álbum de estréia! Com vocês, Libra!
The ROCKER: Grandes saudações! Vamos iniciar a nossa entrevista perguntando sobre o seu início de carreira, quando você tocava death metal e como surgiu a idéia de ter uma banda com o seu nome, onde você é o único membro?
Libra: Formei
minha primeira banda (The Corpse Grinder) aos 14 anos. Era Death Metal
com influências de Carcass, Cannibal Corpse, Unleashed, Death e eu
compunha todas as musicas e algumas das letras. Porém, ao vivo, eu
apenas tocava guitarra e fazia backing vocal. Aos 17 anos entrei
(novamente como guitarrista) em outra banda de Death Metal (The
Endoparasites) e aos 18 vendi meu equipamento de guitarra, comprei uma
bateria e formei uma banda de Doom Metal (Beautyless), inspirada em
bandas como Paradise Lost, My Dying Bride e The 3rd and the Mortal. Aos
19 anos, após voltar da Inglaterra (onde morei por seis meses), estava
cheio de inspirações. Sabia tocar guitarra, baixo, bateria, piano e
havia composto várias músicas em inglês, mas não tinha mais nenhum
instrumento. Peguei tudo emprestado com amigos e fui sozinho para um
estúdio gravar essas músicas. Identifiquei-me muito com a experiência
de gravar tudo, pois percebi que a música ganha mais assim do que
quando temos vários músicos se degladiando para que seus instrumentos
ou solos apareçam mais do que os outros. Depois de terminar a demo
resolvi me envolver ainda mais com a produção e mergulhei nas aulas de
gravação e mixagem. Quando achei que já estava pronto, comecei a
produzir meu CD em meu home-studio e cinco anos depois ele estava
sendo lançado pela Sony Music. Optei por usar meu nome, pois, apesar de
(ao vivo) eu tocar com uma banda, no CD sou apenas eu. Por ser um CD
solo, achei que não faria sentido adotar um nome de banda.

The ROCKER: E, ainda falando nos anos 90, como você compara ter uma banda naquela época e nos tempos de hoje.
Libra: Naquela
época era mais fácil se apresentar e até mais gratificante já que,
independentemente do local ou do estilo das bandas, os shows estavam
sempre cheios. Naquela época não havia pirataria e nem MP3, e todos
sempre compravam os CD's de seus artistas favoritos. Hoje, com a
Internet (que obviamente também ajuda muito em vários aspectos), sinto
que as pessoas estão cada vez mais isoladas. Hoje os novos fãs se
contentam em baixar o CD para ouvir no computador e assistir ao show em
uma pequena janelinha do Youtube (filmado por um desconhecido com um
celular).