Quase trinta anos de carreira muito bem resumidos em uma única noite. Assim podemos definir o show do Metallica mais precisamente, o primeiro dos dois shows que a banda realizou em São Paulo, ao final de Janeiro (30/01).
E não falo apenas do repertório, que viajou desde os grandes clássicos (alguém pensou em Enter the Sandman?) até músicas de seu álbum mais recente, Death Magnetic, tema da turnê mundial que passou também por Porto Alegre; falo também da presença do público - fãs de todas as idades que lotaram o Estádio do Morumbi (68 mil pessoas); falo da ajuda da natureza, que após castigar São Paulo com chuvas ininterruptas por mais de um mês, decidiu parar para assistir a um dos quatro dinossauros do Thrash Metal ao lado de Slayer, Megadeth e Anthrax. E lógico, não podemos esquecer da excelente apresentação dos brasileiros do Sepultura, que abriram a noite para os americanos.
Formado três anos após o Metallica, em 1984, o quarteto de Belo Horizonte composto por Derrick Green (vocais), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Jean Dolabella (bateria) deu uma amostra do porque são considerados o maior nome da música brasileira no exterior (mais de 15 milhões de álbuns vendidos), com um repertório que foi desde clássicos, como "Arise" e "Troops of Doom", até canções de seu último trabalho, "A-lex". Infelizmente, a qualidade do som atrapalhou a experiência das pessoas presentes nas arquibancadas - mas nada que comprometesse o desempenho geral da banda que, embora sem o prestígio de outrora, ainda conta muito carinho e respeito nos "quatro cantos do planeta".
Ao final da apresentação, os equipamentos foram substituídos pelos do Metallica, que sobe ao palco com apenas dez minutos de atraso e, sem maiores cerimônias, arremessa ao público os clássicos Creeping Death e "From Whom the Bells Tolls", do segundo álbum da carreira, Ride the Lightning (1984). James Hetfield (vocal) agradece aos fãs brasileiros pelo apoio em tempos de crise (quando Hetfield foi internado em uma clínica de desintoxicação), e emenda mais três clássicos: "Four Horsemen", "Harvester of Sorrow" e a maravilhosa Fade to Black". Partindo para canções do álbum-tema da turnê "Death Magnetic" (2008), o quarteto de Los Angeles despejou de uma só vez "That Was Just Your Life", "The End of the Line" e "The Day That Never Comes". A canção seguinte, "Sad But True", clássico do popular Black Album (1991) foi dedicada ao Sepultura ("É um prazer estar aqui e tocar com nossos amigos do Sepultura. Sabemos que no Brasil se gosta de peso"), provando mais uma vez o reconhecimento que os brasileiros recebem mundo afora.

Voltando ao trabalho mais recente, Lars Ulrich (bateria) introduziu "Broken, Beat and Scared com uma dedicatória aos fãs brasileiros. Durante One, do badalado álbum ...And Justice For All (1988), várias labaredas de fogo subiram do palco, enquanto fogos de artifício eram lançados. Na pista, as luzes de celulares e máquinas fotográficas faziam a sua parte.
As duas canções seguintes, "Master of Puppets e "Blackened", foram cantadas a toda voz pelo público presente.
Em sequência, outra música bastante conhecida, "Nothing Else Matters", e então veio aquele que talvez fosse o momento mais esperado da noite: Enter the Sandman, um dos maiores sucessos da carreira do Metallica e certamente a música preferida de grande parte dos presentes (estou incluso aqui). O Morumbi enlouqueceu...