AC/DC
AC/DC volta ao Brasil após 13 anos, une gerações em uma aula de música e faz o Morumbi desmoronar em uma noite inesquecível.
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Felipe Sotero
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AC/DC se apresenta diante de 70mil pessoas (Foto:Keiny Andrade/AE)
AC/DC se apresenta diante de 70mil pessoas (Foto:Keiny Andrade/AE)
<span style="font-weight: bold;">Led Zeppelin, Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple, AC/DC...
O berço do heavy metal, um dos ápices do rock'n'roll.
Estas bandas mostraram ao mundo o que é fazer música e marcaram seus
nomes na história como grandes pioneiros da arte de encantar através do
som.
Quando a Time For Fun anunciou a apresentação única do AC/DC -
13 anos depois de sua última passagem pelo país, esperava-se ingressos
esgotados rapidamente, Morumbi lotado e diferentes gerações arrastadas
por uma locomotiva insana - e aqui, falo literalmente: talvez o maior
destaque visual do evento, um trem de aproximadamente seis toneladas,
com as inscrições "666", invadia o palco do quinteto australiano.
Liderados pelo performático Angus Young (guitarra), os veteranos Brian Johnson (vocal), Malcolm Young (guitarra), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria) desembarcaram frente a um público de 65 mil pessoas com "Rock 'n' Roll Train", abertura do mais recente trabalho do grupo, "Black Ice", tema da turnê mundial e considerado o segundo melhor álbum do grupo. Em seguida, foi a vez dos clássicos "Hell Ain't a Bad Place to Be" e "Back in Black"
- esta definitivamente o maior sucesso da história da banda, tema do
segundo álbum mais vendido da história da música. País, avós, filhos e
netos foram à loucura. Ao fundo, o trem do Rock'n'roll não parava de soltar fumaça.
E como todo bom vocalista, Brian desfilou
carisma em cima do palco. Até mesmo ao tentar explicar que não fala
muito bem o português - ou, de acordo com ele mesmo, o "brasileiro" -
mas falava muito bem a língua do rock'n'roll. Foi o que pudemos confirmar por toda a noite, que continuou com músicas como "Big Jack", "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Shot Down in Flames", "Thunderstruck" - com Angus Young fazendo a conhecida sequência do videoclipe sobre uma passarela de vidro, "Black Ice" e "The Jack" - mais um strip-tease de Angus. Mesmo demonstrando uma voz desgastada em alguns momentos, o vocalista Brian em nada parecia esatar no auge de seus 62 anos.

Eis então que um sino gigantesco desce ao palco - com o símbolo do AC/DC - e, da passarela de vidro, surge Brian cantando "Hells Bells" e agarrando a corda do sino, fazendo-o soar por todo o Morumbi. Em "Shoot to Thrill", mais uma vez o público correspondia cantando junto com a banda.
Durante "War Machine", os telões montados no estádio mostravam cenas de conflitos - inclusive um avião durante um "borbardeio de guitarras". A show prosseguiu com "Dog Eat Dog", e o grupo daria início então à frenética sequência com suas músicas mais conhecidas.
"You Shook Me All Night Long" antecedeu a memorável "T.N.T.", com todas as dezenas de milhares de fãs gritando "oi, oi, oi" e a locomotiva soltando fogo pelas laterais. "Whole Lotta Rosie" teve início e uma enorme boneca de borracha aparecia montando sobre a locomotiva. A primeira parte do show terminou com "Let There Be Rock", com um longo e impressionante solo de Angus Young, demonstrando quão grande é a sua presença dentro dos dinossauros do rock.
Após uma breve pausa, o quiteto retorna para o palco com "Highway to Hell", tão ovacionado quanto "Back In Black", encerrando a noite com "For Those About to Rock (We Salute You)", contando com a já tradicional salva de canhões posicionados sobre o palco.
Uma
queima de fogos de artifício encerrou um processo de duas horas que
levou o Morumbi chão - ou melhor, palco - abaixo. Fomos atropelados por
um dos maiores nomes da história da música em uma noite insana.