Projeto de lei anuncia criação de vale para o trabalhador frequentar cinemas, teatros e exposições de arte.
Um projeto de lei prevê a criação do
Vale-Cultura, uma espécie de cartão com valor de até
R$ 50,00, que permitira ao trabalhadorutilizá-lo para ir ao teatro, cinema, comprar CD's e DVD's... As empresas que aderirem ao projeto teriam desconto de até 1% em seus impostos. O objetivo da iniciativa seria promover a cultura para os brasileiros, já que dados divulgados pelo
IBGE (
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte e 78% jamais assistiu a um espetáculo de dança.
Em seu discurso no lançamento do projeto, o Ministro da Cultura
Juca Ferreira comentou a iniciativa: “
Estamos levando a arte e a cultura para as mesas das famílias brasileiras para que a alma da população seja bem nutrida e que nossos cidadãos tenham algo mais além do mínimo necessário a sua existência”.
A proposta realmente é bonita: todos os brasileiros admirando a cultura do país, prestigiando o cinema nacional, ouvindo música, assistindo a peças de teatro, admirando uma bela exposição de arte... Mas, pensando em um trabalhador que não tem nem o segundo grau completo, muitas vezes tem dois empregos para conseguir sustentar a família, mal consegue assistir TV devido à exaustão causada pelo trabalho: este vale realmente seria um grande benefício?
A cultura não é comprada através de um cartão. A cultura é conquistada através, principalmente, da educação. Uma pessoa que não teve acesso a escola ou não teve uma educação eficiente não tem porque admirar uma exposição de arte - aquilo com certeza não terá o menor sentido para ela. Essa proposta poderia ser comparada com a política do "Pão e Circo" ("
panem et circenses") utilizada na Roma antiga. Com medo de que os camponeses se revoltassem com os problemas sociais da época, o imperador promovia luta de gladiadores nos estádios e distribuía trigo e pão para a sociedade se esquecer de seus problemas.