Provas que deveriam ser utilizadas para avaliar o desempenho dos estudantes retratam a má organização da educação no país.
O
ENEM (
Exame Nacional do Ensino Médio) e o
ENADE (
Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) foram criados para avaliar instituições e alunos, cada um em sua categoria. De acordo com as últimas notícias que circularam na mídia, até agora, os exames só refletem o descaso com a educação no país: desde furto de provas e a falta de segurança no transporte das avaliações até alunos enviados a locais distantes, questões mal elaboradas e com mais de uma alternativa correta.
Os mais prejudicados foram os estudantes que são obrigados a pagar por um erro que não lhes pertence. O
ENEM foi realizado nos dias cinco e seis de Dezembro, mas a confusão com a prova começou em Outubro de 2009. A avaliação estava marcada para os dias três e quatro daquele mês, porém depois do conteúdo das provas vazar, ela teve que ser cancelada. Esse ano, o exame estreou um novo formato, foi dividido em dois dias e contou com 180 questões.
A principal desvantagem da transferência dessa data foi que as principais universidades decidiram cancelar a utilização da nota da prova em seus vestibulares - caso da
USP (
Universidade de São Paulo), por exemplo. Depois do exame ter sido aplicado, ocorreram mais divergências: alguns alunos comentaram sobre perguntas com mais de uma resposta correta e o
INEP (
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) confirmou o cancelamento de uma das questões.
A abstinência foi a maior da história: quase 40% dos estudantes não compareceram à prova e o primeiro gabarito divulgado no dia seis estava errado - a correção certa foi liberada apenas no dia sete. Para
Luana Carolina, 20, que está prestando vestibular para medicina pela terceira vez, a prova pareceu mais um teste de resistência do que de conhecimento, além de encontrar algumas questões com mais de uma alternativa aceitável.
O cancelamento do exame prova que nada nesse país realmente é levado a sério, disse a estudante.
Em meio à confusão com o
ENEM, em Outubro, agentes da
Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro pararam um caminhão que fazia o transporte das provas do
ENADE. Segundo os policiais, as avaliações não estavam embaladas e nem lacradas.. Mas, mesmo assim, o
MEC (
Ministério da Educação) decidiu manter a data da avaliação no dia oito de Novembro.