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Descaso com a Educação
Provas que deveriam ser utilizadas para avaliar o desempenho dos estudantes retratam a má organização da educação no país.
Escrito por Laís Maciel em 15/12/2009
Fonte: SXC
O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) foram criados para avaliar instituições e alunos, cada um em sua categoria. De acordo com as últimas notícias que circularam na mídia, até agora, os exames só refletem o descaso com a educação no país: desde furto de provas e a falta de segurança no transporte das avaliações até alunos enviados a locais distantes, questões mal elaboradas e com mais de uma alternativa correta.

Os mais prejudicados foram os estudantes que são obrigados a pagar por um erro que não lhes pertence.  O ENEM foi realizado nos dias cinco e seis de Dezembro, mas a confusão com a prova começou em Outubro de 2009. A avaliação estava marcada para os dias três e quatro daquele mês, porém depois do conteúdo das provas vazar, ela teve que ser cancelada. Esse ano, o exame estreou um novo formato, foi dividido em dois dias e contou com 180 questões.

A principal desvantagem da transferência dessa data foi que as principais universidades decidiram cancelar a utilização da nota da prova em seus vestibulares - caso da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo.  Depois do exame ter sido aplicado, ocorreram mais divergências: alguns alunos comentaram sobre perguntas com mais de uma resposta correta e o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) confirmou o cancelamento de uma das questões.
A abstinência foi a maior da história: quase 40% dos estudantes não compareceram à prova e o primeiro gabarito divulgado no dia seis estava errado - a correção certa foi liberada apenas no dia sete. Para Luana Carolina, 20, que está prestando vestibular para medicina pela terceira vez, a prova pareceu mais um teste de resistência do que de conhecimento, além de encontrar algumas questões com mais de uma alternativa “aceitável”. “O cancelamento do exame prova que nada nesse país realmente é levado a sério”, disse a estudante.

Em meio à confusão com o ENEM, em Outubro, agentes da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro pararam um caminhão que fazia o transporte das provas do ENADE. Segundo os policiais, as avaliações não estavam embaladas e nem lacradas.. Mas, mesmo assim, o MEC (Ministério da Educação) decidiu manter a data da avaliação no dia oito de Novembro.


O ENADE é utilizado para avaliar instituições, cursos e alunos do ensino superior. Estudantes do primeiro e último ano são convocados a realizarem o exame que conta com questões específicas sobre o curso no qual estão matriculados, além de perguntas sobre a infra-estrutura e o corpo docente da instituição em que estudam. Por serem obrigados a fazer a prova com a ameaça de não conseguirem o diploma no final do curso, muitos alunos protestam e boicotam o exame. Alguns aguardam o tempo limite para ficar dentro da sala de aula e entregam a prova em branco. EsTe ano, os universitários tiveram mais motivos para reclamar da aplicação da avaliação: alguns estudantes foram enviados para escolas distantes de suas casas e outros saíram com o caderno de questões antes do prazo estipulado. Após receber críticas por perguntas interpretativas e que não poderiam ter apenas uma resposta, o MEC decidiu anular 11 questões da prova referente ao curso de Comunicação Social.

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