A música através dos tempos
A evolução e o retrocesso musical através dos anos. Ou ainda, como os tempos influenciam pensamentos, idéias, objetivos, e definem a nossa musicalidade.
Escrito por:
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Lua Barbosa
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SkyCrapper
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Beatles (Foto:Divulgação)
Beatles (Foto:Divulgação)
Pergunta-se porque é que não se faz música como antigamente.
O rock n’ roll de hoje não é como o rock n’ roll de algumas décadas atrás - se é que podemos denominar estas expressões musicais que se classificam como o tal hoje em dia. A questão é simples e a resposta é curta: os tempos mudaram minha gente!
Questões históricas e políticas sempre influenciaram nas expressões artísticas. Ok! Falar disso vai ser mais difícil do que eu imaginava, mas vamos lá. Pensemos nos anos 60: movimentos vanguardistas do cinema e do teatro, a literatura de Kerouac, a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, as então inúmeras disputas por territorialismo e independência, o surgimento do movimento hippie, as drogas, os movimentos negros, feministas e homossexuais...
No Brasil , foi quando houve o golpe de 64 e instaurou-se assim a nossa famosa ditadura militar. E então temos aí Beatles – como um dos nomes mais fortes – Rolling Stones, The Who, Dylan... Em nosso país, o Clube da Esquina, Elis, Chico, o famoso movimento Tropicália. E então, antes de chegarmos na década de 70, temos o festival Woodstock, nos Estados Unidos, que reuniu clássicos e feras do (verdadeiro) rock.

Chegamos então nos anos 70! Camisas coloridas, artesanatos, boca de sino e ecstasy faziam parte do dia-a-dia da juventude. Surge também o movimento punk e o então conhecido rock progressivo. Pink Floyd, Jethro Tull, Rush, Focus, entre outros. No Brasil, a ditadura, a censura e a repressão estavam mais fortes do que nunca. E temos aí Rita Lee, Doces Bárbaros, O Terço... Temos também o glam rock, as discotecas, o blues, o hard rock e - putaquepariu, quanta coisa! E no meio desses anos todos, ainda temos Mutantes, Janis, Led Zeppelin, Novos Baianos, Tom Zé, Queen, Kiss e... eu ficaria aqui até sabe-se lá quando.


Podemos falar também do cinema! Kubrick, Fellini, Easy Rider, "Os Embalos de Sábado a Noite", Grease, Brigitte Bardot... Enfim...
E hoje, luta-se pra quê? Porquê? Pelo quê? Melhor ainda, luta-se? Essa evolução tomou um rumo, um tanto, assustador. As crianças crescem tendo o que querem e tornam-se jovens livres que tem tudo de maneira fácil em suas mãos. Ser proibido de usar a internet ou ir a uma balada ou uma (des) ilusão amorosa já os faz jovens revoltados, vestidos de maneira diferente a cada dia (mal sabem que o colorido de hoje já foi moda nos anos 80), criando (criando?) letras supérfluas e melodias de três acordes. Jogam isso na internet, a mídia cai em cima por um curto período e vivem seus meses de sucesso. E assim o próximo da fila, a nova bandinha da moda, tem a sua vez. Sucessivamente e copiadamente.

Tudo é muito fácil.  Evolução ou retrocesso? Nosso jovens não lêem, não sabem o que acontecem à sua volta. Compram seus diplomas com o consentimento de seus pais. Não existem mais provocações. E fica então a minha provocação, pra estes que se dizem músicos de um dia pro outro, porque é que não se faz música como antigamente? Vão ouvir Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Nina Simone, Lupicínio Rodrigues. E aí, vocês me respondem.
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Publicada em
19/08/2010
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